Estratégias de investimento com produtos cotados em Bolsa

Os índices são cabazes de acções concebidos para representar um mercado ou um segmento de mercado. Ao reflectirem o desempenho de um mercado específico, fornecem aos investidores uma referência para monitorizarem a sua performance e a dos seus investimentos face a esse mercado.

Ao investir num produto financeiro concebido para replicar a performance de um mercado, o investidor pode participar, com custos mais reduzidos na sua performance agregada, uma vez que pode efectuar a transacção de uma só vez. Da mesma forma quando o investidor investe num segmento específico, está a ganhar exposição a um segmento do mercado, também a custos mais baixos. Em resultado destes custos reduzidos e da facilidade de investimento, os produtos indexados - nomeadamente ETFs e Certificados - têm vindo a registar uma popularidade crescente nos últimos anos, quer na Europa quer nos Estados Unidos.

Historicamente, e quando medidas em prazos de investimento relativamente longos (anos), as estratégias de investimento de gestão passiva, normalmente baseadas em índices, têm registado uma performance favorável quando comparadas com investimentos de gestão activa, onde os gestores tentam alcançar um desempenho superior ao do mercado. Embora existam investidores que conseguem superar a performance dos seus mercados de referência, as estratégias de gestão passiva tendem, em média, a registar um desempenho superior, em resultado de custos mais baixos e uma diversificação mais alargada.

Normalmente o investidor tem à sua disposição 3 tipos de estratégias: alocação de activos (asset allocation), previsão de mercado (market timing) e selecção de acções (stock picking).



A asset allocation é baseada no princípio de que diferentes activos têm comportamentos diferentes em diferentes condições dos mercados e das economias. Numa carteira constituída por várias classes de activos, onde cada um deles oferece retornos que não estão perfeitamente correlacionados entre si, a diversificação reduz o risco global da carteira em termos de volatilidade dos retornos. A asset allocation tem sido descrita como “o único almoço grátis passível de ser encontrado nos mercados financeiros”. Vários estudos académicos indicam que entre 80% a 95% dos retornos das carteiras resultam do asset allocation, cabendo ao market timing e ao stock picking uma contribuição marginal.

No market timing, o investidor parte do princípio que tem a capacidade de antecipar o movimento dos mercados e das classes de activos, posicionando a sua carteira de investimentos em conformidade. Os resultados desta estratégia de investimento são controversos por muitos considerarem que os mercados são difíceis de prever. Isto porque há quem defenda que ou os mercados têm um comportamento aleatório, ou então a sua complexidade é tal que se torna quase impossível de prever com precisão qual o seu comportamento futuro, pelo menos de uma forma consistente.

Com o stock picking, o objectivo do investidor consiste em seleccionar os valores onde há uma expectativa de desempenho superior ao do mercado num determinado horizonte temporal (ou evitar aqueles em que antecipa um desempenho pior que o do mercado). À semelhança do market timing, também os resultados do stock picking podem gerar alguma controvérsia. Não só é difícil prever com exactidão quais os valores mobiliários que poderão registar uma performance superior à do mercado, como os gestores também estão muitas vezes sujeitos a imperativos institucionais que poderão limitar o seu desempenho a longo prazo.

Um investidor que não queira limitar as suas opções a uma única estratégia de investimento pode optar por usar várias estratégias em simultâneo. Por exemplo, utilizado uma abordagem core-satellite na construção da sua carteira de investimentos. Nesta abordagem, o núcleo da carteira é constituído por investimentos passivos, que procuram replicar os principais índices, como por exemplo o índice S&P 500 ou índice PSI 20. Esses investimentos podem ser constituídos através de Fundos de Investimento de gestão passiva, ETFs ou até mesmo Certificados. Ao mesmo tempo, o investidor toma posições em investimentos “satélite”, utilizando estratégias de stock picking e/ou market timing. Por exemplo, seleccionando instrumentos que replicam índices pouco correlacionados com o mercado, acções individuais onde há uma expectativa de desempenho superior ao mercado e/ou uma correlação reduzida com o mesmo; ou fazendo apostas selectivas em determinados movimentos dos mercados, através de instrumentos indexados como sejam Certificados e ETFs, ou produtos mais complexos como os Warrants ou as Opções.

Uma abordagem core-satellite pode permite ao investidor obter custos mais baixos e uma carteira mais diversificada em resultado da indexação do núcleo, mantendo ao mesmo tempo em aberto a possibilidade obter uma performance superior à do mercado através dos investimentos satélite. E é uma abordagem que pode resultar numa maior disciplina na construção da carteira de investimentos.